Redução do Valor Recuperável, Aplicamos Dados Realistas?

Por Jorge Casseb

Em diversas áreas nós sabemos que o balanço das empresas pode sofrer um impacto significativo quando se trata dos recebíveis, e valores a receber é sempre diferente de valores que realmente iremos receber.

Por isso, nas melhores práticas da contabilidade e atuária os recebíveis devem ser calculados e considerados nos balanços.

Sendo assim, mais uma vez, estou escrevendo para questionarmos se estamos dando importância para essas informações e se estamos analisando da forma mais eficaz.

Apenas calcular uma média simples, ou dar pouca importância para a cerne desses valores pode ser um impacto de milhões como vemos nos balanços mais comuns.

 

A prática mais comum é tirar uma média simples dos valores totais de recebíveis e calcular uma porcentagem que é a possibilidade de não receber os valores

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Nesse caso os inadimplentes até 1 ano, possuem o mesmo risco de default quando comparados com aqueles inadimplentes acima de 360 dias. Assim como os que estão a mais de ano sem pagar possuem a mesma probabilidade de pagar com os que estão atrasados a apenas alguns dias. Essa é uma formula aceita de se calcular o valor recuperável, mas seria a mais realista? Estando você com a maior parte das suas contas a receber com atraso de poucos dias não seria muito impactante dizer que 10% desse valor não será pago? Quando um estudo mais apurado pode mostrar que essa porcentagem não passaria de 1%?

Um cálculo de Redução no Valor Recuperável com técnicas atuariais, contábeis e dados oficiais demonstraria através das faixas de vencimento quais seriam as porcentagens mais realistas de não recebimento para cada faixa.

Dessa forma, o resultado do valor recuperável seria menos impactante em um cenário mais comum, já que a maior parte do valor a receber está em faixas de atrasos menores, o risco é menor, logo o resultado da empresa é melhor conforme vemos na tabela a seguir:

Como podem ver essa é uma simulação de faixas de risco de inadimplência.

Considerando que as primeiras faixas ficam a maior parte dos recebíveis, vemos que o risco de não receber é menor, portanto, o percentual de não recebível das primeiras faixas é muito menor que nas últimas que estarão maiores, porém o valor total é muito menor.

O que demonstramos é que o valor recuperável através dessa metodologia chamada “roll rate model” (amplamente aceito pela Susep) garante a você uma visão melhor dos seus valores recuperáveis:

  • Resultado mais realístico dos valores recuperáveis. (geralmente o resultado da empresa melhora)
  • Rastreabilidade das faixas de inadimplência. (melhor visão através do histórico dos recebíveis e porcentagens de risco)
  • Ótimo KPI do setor de cobranças.

Muito importante salientar que essa é uma técnica científica utilizada por atuários experientes bastante comum no mercado europeu.

Jorge Casseb é Gerente Comercial de Vendas na Company Prime
Contato: jorge.casseb@companyprime.com.br



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